Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

Sonhos e Realidades...


foto: DDiArte / Modelo: Sara Guimarães

Viver de sonhos... se não é a melhor forma de viver...é a forma que nos leva ás melhores realidades...!!!

Mafalda de Albuquerque

Sábado, 25 de Abril de 2009

Traidoras!!!


foto: Daniel Pedrogam

Elas voltaram.
Ou talvez sempre tenham estado aqui, e eu fingisse que não as sentia. Talvez me tenha acostumado à sua presença e tenha passado os últimos tempos sem lhes dar grande importância.
Aprendi a finta-las. Deixei-as estar como que adormecidas. Descobri como as manter enfraquecidas…como que anestesiadas. Como se não estivessem aqui.
Por momentos acreditei que finalmente pararam de me atormentar. Deixei de sentir aquele odor constante e teimoso que se entranha no corpo e nos oferece sofrimento. Por instantes acreditei que se tinham ido, que se perderam por aí num outro corpo qualquer e esqueceram o caminho de volta.
Mas fui fintada. Fintada por elas. Eu, que outrora me julguei protagonista da finta perfeita.
E hoje lá estão elas…acordadas, despertas e dispostas a corroer mais um pouco de mim.
Não sei ao certo se elas escolhem o momento para se declararem habitantes de mim própria, se me apanham fraquezas ou se sabem quando estou mais vulnerável a elas.
Sim…elas vivem em mim, e hoje devem sentir-se com um poder qualquer sobre a minha pessoa porque não me largam.
Mas eu não as quero. Não quero. Não as pedi. Não fui eu quem as acordou. E se acordaram por si só, não quis em nenhum momento alimenta-las.

Estão aqui, mas não as quero. Tapo os olhos para não as ver. Não as quero. São intrusas.
Traidoras. Quiseram lá saber da minha vontade. Como se estivessem este tempo todo à espreita. Como se soubessem que mais tarde ou mais cedo seriam rainhas no meu aglomerado de emoções.
Traidoras. Passeiam-se astuciosamente cá por dentro como se eu lhes pertencesse. São devastadoras. Parece que voltam sempre mais fortes depois de permanecerem muito tempo escondidas.
E aqui estão elas a vandalizar a minha alma de tal forma, que não sei se quem escreve este pequeno desabafo… sou eu… ou se são elas.
Elas…as saudades.


Mafalda

Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

Há pessoas...



Há pessoas que se usam umas ás outras sem prévio aviso. Utilizam-se umas às outras impiedosamente…
Há pessoas que falam e articulam monólogos, porque nem sequer tem a capacidade ou inteligência de ouvir o que os outros têm para dizer. Pessoas que não querem saber dos outros, apenas de si próprios e dos seus próprios interesses e conveniências.
Há pessoas que tem a habilidade incrível e espantosa de julgar e apontar o que os outros viveram, sem nunca terem vivido algo semelhante ou comparável. Há pessoas que nem no lugar dos outros sabem pôr-se.
Há pessoas que nos provocam lesões que demoram anos a cicatrizar. Pessoas que fazem com que se magoem outros por essas feridas não estarem curadas.
Há pessoas que pisam sem dó nem piedade e de forma vergonhosa. Pessoas que nos fazem sentir vergonha de atitudes e posturas que são delas, e não nossas.
Há pessoas que se acham superiores a qualquer ser humano, por isso tentam a todo o custo diminuir e esconder o brilho dos outros. Porque se acham demais, e porque acham que os outros nunca chegam.
Há pessoas que vivem com a forte crença de que o mundo gira á sua volta, que os outros vivem apenas para elas, que se afirmam cheios de sentimentos quando estão totalmente desprovidos de qualquer sentimento benigno para com os outros.
Há pessoas que acham que têm o super poder de decidir pelos outros, de sujeitar os outros a papéis miseráveis. Pessoas que iludem, a seguir desiludem e nem sequer tem o bom senso de o admitir.
Há pessoas tão pobres de espírito, tão pobres de tudo. Tão ocas e tão invejosas que são capazes de passar uma vida com o único objectivo de ocupar o lugar dos outros. Pessoas que estão tão empenhadas em fazer crer os outros que não valem nada e por isso devem contentar-se com pouco, que não se apercebem que elas sim… são almas inúteis que mais tarde ou mais cedo serão confrontadas com o pouco que são…
Há pessoas que coleccionam máscaras e quase podem usar uma diferente todos os dias.
Há pessoas que vivem para o seu próprio umbigo, sem perceberem que essa forma de vida diminui a realidade e o seu próprio mundo. Pessoas que não sabem olhar em frente, nem para os lados e muito menos alcançar os umbigos dos outros.
Há pessoas que se atropelam em mudanças fingidas, que dizem todos os dias coisas diferentes, e que o que fazem nunca condiz com o que foi dito. Pessoas que não sabem respeitar os outros, porque na verdade lhes falta o maior respeito de todos…que é aquele que deveriam ter com elas mesmas.
E dessas pessoas…eu só consigo sentir pena.





Inês

Terça-feira, 14 de Abril de 2009

Disfarce compulsivo…


foto:Daniel Pedrogam / Modelo: Paulo César

Quantas vezes nos sentimos a dispersar?
Deambulamos errantes como que a querer disfarçar evidências de forma compulsiva. Como que a procurar uma espécie de perfeição, mesmo que ela não exista, mesmo sabendo que muitas vezes a perfeição é só aparência. Mas como acreditamos nela vamos vagueando por aqui e por ali em busca de um vestígio seu.
Especulamos de um sítio longínquo para que não nos vejam ou descubram os nossos pontos fracos. Ficamos como que imobilizados a analisar tudo o que nos rodeia, a tentar reconhecer o que procuramos. Achamos que conhecemos muito dos outros e esquecemo-nos que por vezes conhecemos tão pouco de nós próprios que será impossível compreendermos os outros.
Perguntamo-nos vezes infinitas se estaremos a agir da forma mais correcta. A resposta, muitas vezes resume-se a um “ não “ gélido e seguro. Por isso a necessidade de desaparecer, de ocultar, de camuflar, de nos fecharmos dentro da nossa própria carapaça. E também aí nos esquecemos de que, enquanto estivermos escondidos e camuflados, tornamo-nos pessoas inatingíveis e dificultamos de forma árdua e cruel que alguém nos encontre…


Mafalda

Terça-feira, 7 de Abril de 2009

Férias de ti...


foto:Daniel Pedrogam Modelos: Flavio Miranda e Raquel Marques

Constantemente a ser mal interpretada.Mas constantemente segura de quem sou.
Acabo de tirar férias de quem me toma pelo que não sou!

Mafalda

Sábado, 4 de Abril de 2009

Mafalda, Mafalda...


foto: Clicio Barroso

Mafalda..Mafalda...tens lá tu idade para paixões platónicas ?
Sentiste o sabor...? Ou idealizaste um sabor?
Eis a questão.
Alguém te viu, e tu sabes que havia ali alguém. Mas haveria de facto esse alguém que tu projectaste da tua mente para o papel, para a tua vida?

Eis a questão.
Mas quem? De onde vem? Que nome lhe dás?
Decifraste até onde te foi possível...não saíste derrotada, apenas escolheste parar a tua busca incessante pelo desconhecido, ou pelo peculiar que te entrou na retina.
Talvez essa busca não te levasse a lado nenhum. Talvez... Mafalda.
Mas havia ali alguém, não era fruto da tua imaginação.
Estava lá, não só física como mentalmente...mesmo não acompanhando continuamente os teus pensamentos.
Nem toda a gente corre á velocidade do teu cérebro. Nem tu corres á velocidade do racionalismo de toda a gente.
Ainda não te capacitaste disso? Uma emotiva nunca correrá á mesma velocidade de uma razão. Mesmo que seja uma razão sem razão.
Esquece. Sairás sempre a perder. Mesmo que seja momentaneamente.

Perdedora tu? Não...essa posição não te encaixa. Nem no mais pequeno instante.
Sentis-te um misto de animo com um sentimento de receio. Espreitas-te por entre um sopro ou um respirar mais profundo, mas rapidamente o perdeste.
E ninguém voou, ao contrário do que se adivinhava. Alguém decidiu mostrar-te o contrário daquilo que estavas habituada. Sem voos, e com uma pequena queda para ti. Voltaste a cair.
Mas sabes Mafalda, há quem se afaste apressadamente para evitar aquilo que prevêem ser o risco. E há quem caía quando está disposta a pisa-lo.
Nesta vida incerta, tudo acaba por ser um risco, ou um conjunto de vários riscos. E nem toda a gente está disposta a pisa-los. Nem toda a gente acredita que esses mesmos riscos possam revelar-se uma outra coisa qualquer, sem nome, ou com um rotulo que á partida provoca medo.
Esquece os teus impulsos de arrastar até ti...quem admite fazer um enorme esforço para render-se aos teus encantos.
Gostar de ti, mas não gostar de gostar de ti não é propriamente um sentimento que te agrade.
Os dedos vieram agora mesmo do caminho dos teus olhos. Trazem agora um rasto de rimel gasto e removido por lágrimas.
Mafalda, Mafalda...que paixão platónica é essa que te arranca o rimel como quem arranca algo a sangue frio?
Sim, são as lágrimas com as quais já estás familiarizada. Mas são lágrimas que escorrem de ti e por ti. Não são de ninguém, nem por alguém...por isso não te envergonhas delas.
Do outro lado vem algo que nem sequer te leva a sério. Do outro lado há quem te reduza a mais uma das mulheres que reduzem os homens a meros nacos de carne.

Reduzirem-te a ti? Ainda está para nascer quem o faça!
Deve ser por isso que estás nessa revolta. Porque odeias que te reduzam ou subestimem o muito que tu sabes que és...
Mafalda...espreita-te num sopro ou num respirar mais profundo.

Mas não te percas nos labirintos de um sentimento com o qual não sabes, nem nunca soubeste lidar...