Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Misterioso e indecifrável...


foto: José d' Almeida & Maria Flores

Uma estranha ofuscação dos sentidos. O arrepio instantâneo e abrupto. Na minha cabeça ecoam determinadas vozes. Conversas entoadas. Conversas em tom de segredo. Sorrisos naturais. Vidas cruzadas. Olhares penetrantes. Uma dança envolvente. Júbilos contagiantes. Vidas partilhadas. Escárnios de bem dizer. Beijos. Aqueles beijos. E um rosto com traços de menino a ser mimado pelas minhas mãos.
Novamente vozes. Não sei ao certo o que elas me dizem. Sei que me murmuram palavras múltiplas, e me sabem aqui a escuta-las. Sim, porque não é pelo facto de ter optado fechar os olhos a este sentir, que deixei de querer ouvir o que tem para me dizer. Ouço em silêncio.
O mesmo silêncio da ausência e das diferenças sombrias. Ausências forçadas ou não. Diferenças relevantes ou não.
Fico aqui, dada ao silêncio comum dos pensamentos confusos.
Quero estar sozinha. Agora e sempre que assim o desejar. Talvez uma certa solidão possa dar-me respostas.
O que eu não quero é ficar à espera. Tu sabes Inês, que eu nem sequer sei esperar.
Deixa-me dizer-te também, que não espero algo concreto deste meu sentir, porque se assim fosse, o mesmo já teria avançado para um estado chamado desespero emocional. E isso, muito obrigada, mas eu não quero. Prefiro a vibração, o calafrio, a excitação, do que voltar a ter medo dos meus sentimentos.
Talvez o tempo me mostre na devida altura o seu significado. Talvez o tempo me ajude a encontrar a definição para este meu sentir.
Por enquanto mantém-se assim… misterioso e indecifrável.
É assim que eu o quero e por hoje é assim que vai ficar…
de olhos fechados e em silêncio. Misterioso e indecifrável.


Mafalda

De que é feito esse teu sentir ?


foto: José d' Almeida & Maria Flores

São tantos os momentos na nossa vida em que optamos por fechar os olhos e deixar de ver. Tal como tu agora. Preferes ser a Mafalda de olhos fechados. Fechas os olhos e tentas não pensar. Nem sequer lembrar-te que tens consciência, e que dentro dela tens ainda uma outra consciência de um sentimento que te arrebata. Por isso fechas os olhos, e não te lembras que tens consciência. Mas sabes Mafalda, até na inconsciência conseguimos ver certas expressões. Sim, falo do que sentes, porque sei que mesmo inconscientemente te sentes cativada e presa a certa imagem que está agora projectada sobre ti. Como te sentes? Ou talvez deva perguntar, o que sentes?Uma espécie de eclipse dos sentidos? Aquele calafrio súbito? Aquela vibração emocional? Tremor? Aquele estremecimento provocado talvez pelo medo…? Descreve-me o que sentes e pelo que esperas. Não precisas sequer de abrir os olhos para o fazer. Quero apenas ouvir-te e perceber de que é feito esse teu sentir.



Inês

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

(In) Consciência em confusão...


A inconsciência é muitas vezes a principal causadora de determinados estados de loucura. Julgo que este pensamento seja comum a muitas pessoas. O pensamento de que são muitas as vezes que atingimos um estado de insanidade por culpa da nossa inconsciência.
A inconsciência, ou a cegueira. Depende de como gostamos mais de chamar-lhe. O ténue e maçador esforço de correr ao encontro do que ainda está para vir, sem tão-pouco perscrutar memórias e reminiscências.
Não sei ao certo o porquê da invasão destes pensamentos no meu cérebro. Ou talvez saiba. Talvez porque me vejo rompida e rasgada pela minha própria vida. Tanto que me apetece renunciar a certos pontos. Apetece-me. Mas não o faço. Em vez disso mantenho os meus sentidos aguçados, na expectativa de assim descobrir um outro ponto de partida, e desse modo anular episódios que me perturbam. Apagar os passos dados em falso, aqueles que me levaram num sentido que hoje está a parecer-me errado. Só que as memórias não se riscam, como se risca algum apontamento que não está bem definido. As minhas memórias não…pelo menos não no seu todo.
Então hoje remanescem as piores representações, os instantes de dúvida, a tortura de certos sentimentos. As tais imagens que gostava de extinguir por instantes, mas não sou capaz.
É geralmente neste ponto, em que a minha consciência se torna imoderadamente real para ser suportável, que me desmancho em alucinantes e impetuosas habilidades a fim de desviar essas imagens da minha vista. E também é comum nestes momentos fechar os olhos e preferir deixar de ver. E é igualmente aí que os meus actos e gestos perdem parte do sentido. Se é que alguma vez o tiveram.
Claro está que falo em acções específicas, que na verdade não me apetece especificar.
Apeteceu-me apenas partilhar convosco estes meus pensamentos. E talvez um de vocês, mesmo sem as ditas especificações consiga perceber o que realmente tentei dizer nesta minha dissertação.


Mafalda

(A Mafalda que hoje está em grande confusão de pensamentos, como se pode ler no texto acima. Já estava com a ideia de que a minha cabeça estava em absoluta confusão. Depois de ler o que escrevi a ideia foi totalmente reforçada.)

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Pessoas…dúvidas e relacionamentos…


foto: José d' Almeida & Maria Flores

Isto de relacionamentos tem muito que se lhe diga. Ou serão antes os sentimentos que têm mais que se lhe diga do que se possa pensar?
Digo isto pelo que vejo e de certa forma pelo que sinto neste universo gigantesco de pessoas e dos laços que criam entre si. E o que eu vejo é que às vezes em vez de laços criam-se verdadeiros nós.
O pensamento que escrevi no post anterior foi automaticamente vomitado por mim depois de assistir ou constatar certos comportamentos que a mim francamente me causam uma sensação de náuseas.
Mas afinal porque é que algumas pessoas (uma grande parte, na minha opinião) vivem com uma descomunal e obsessiva vontade de impor ou manipular a pessoa com quem mantêm um namoro, um casamento, ou até mesmo uma amizade colorida?
São posturas e condutas que a mim me provocam uma certa comichão. Querem mudar as pessoas, escolher de que forma devem ou não tratar esta ou aquela pessoa. E nem percebem que assim estão de uma maneira ou de outra a roubar-lhes espontaneidade.
Sempre achei que se numa relação existe um que controla quase tudo o que os rodeia, que se impõe perante este ou aquele comportamento…a outra parte nunca será totalmente feliz.
Não acredito em relações sufocantes…ou onde haja manipulação de uma das partes.
E digo-vos mais… enerva-me ver que há pessoas que cedem à manipulação da outra pessoa. Enerva-me mesmo que alguém (que é meu amigo há mais de uma década) não me dê um abraço da forma que o quer dar porque a namorada pode ver e não vai gostar.
E depois já não sei a qual dos dois atribuir a estupidez maior. Se a ela por demonstrar tamanha insegurança, se a ele por simplesmente deixar de ser ele próprio.
Sim, porque é uma estupidez gigantesca que o “proíba” de me abraçar quando me vê. Ou será que não percebe que ele vai continuar a fazê-lo quando ela não estiver? Chama-se a isto gostar de enganar-se a si própria.
Nele espanta-me esta tontice, exactamente por conhece-lo tão bem e saber que são comportamentos que pouco ou nada condizem com a sua forma de estar na vida e nas relações.
Não percebo porque razão têm as pessoas que mudar a sua forma de ser, e muitas vezes agir de forma diferente àquela que pensam e querem em prol de outra pessoa. E fico espantada que existam pessoas que ainda acreditem que têm a habilidade e propensão de modificar a personalidade da pessoa por quem se apaixonaram. Não entendo essa altivez e essa insolência.
Podem até conseguir que se mudem comportamentos, agora mudar personalidades tenho as minhas dúvidas.
E como pessoa de dúvidas que sou, acabo de ficar com mais uma.

Mas afinal as pessoas gostam umas das outras pelo que elas são, ou pelo que querem que elas sejam?



Mafalda

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Ninguém é de ninguém...


foto: Marta Ferreira - www.mfotografia.com

Triste de quem se acha dono de alguém...
As pessoas têm sentimentos, constroem relações, criam laços...mas ninguém pertence a ninguém, a não ser a si próprio.

Mafalda

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

E quando algo se entranha em nós?


foto: 1000-imagens.blogspot.com

Às vezes sinto que posso parecer um pouco esquisita.
Tu detectas-me alguma loucura.

Não sei se sabes que parte dessa loucura és tu quem ma desperta.
Sei que podes achar que grande parte dos meus interesses não são propriamente os da maioria das pessoas de hoje em dia. Na perspectiva dos outros, de quem vê, de quem se apercebe, posso parecer um pouco delinquente, embora a palavra possa ser perigosa ou arriscada.
Ambos sabemos o perigo que representamos um para o outro.
O perigo, a tentação, o risco.
Talvez eu esteja a cometer um crime moral…talvez me apontem o dedo, mas talvez o crime maior não seja meu.
Este enredo não é novo. Mas interessa-me.
Eu gosto disto.
Desta agitação.
Deste frenesi que me invade.
Do alvoroço no olhar e na voz.
Das coisas fora do lugar.
Do teu corpo no meu em lugares diferentes.
De ti no meu colo. De mim a dormir em ti.
Das reacções previstas e das imprevistas.
Do barulho das ondas.

Da areia fina a sentir o nosso desejo.
Do nascer do sol observado por nós , e ele a testemunhar as nossas conversas.
Da sensação de liberdade que é abraçar-te.

De sentir o teu braço a pousar-me em cima do ombro espontaneamente.
Dos teus olhos.

Os teus olhos… Por vezes peço que não me olhes assim, porque vejo neles tanto de mim…e porque tenho medo que vejas nos meus tanto de ti.
Para quem observa de fora, para quem vê do lado de fora da nossa pele, talvez seja inexplicável e estranho.

Talvez se estivéssemos desse mesmo lado também fosse incompreensível. Mas nós estamos do lado de dentro, é na nossa própria pele que as coisas acontecem.
E em vez de estranharmos, parece que nos entranhamos um no outro…



Mafalda

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Querida Plagiadora:


foto: Sara Sa

É sempre uma surpresa quando encontramos um texto nosso num hi5, ou num blogue, ou numa pagina pessoal de alguém.
E é sempre uma surpresa desagradável quando o texto aparece exposto como se tivesse sido a própria pessoa a escreve-lo.
A isso chama-se plágio...e deixa-nos dizer-te querida "plagiadora" que isso é muito feio.
Até podemos reconhecer que muitas vezes quem o faz não o faça por "má fé" , mas todos sabemos que quando usamos um texto, uma frase ou algo que alguém escreveu devemos assinalar o mesmo com as devidas aspas e se sabemos a fonte de onde ele foi retirado também o devemos mencionar. Logo, só podemos concluir que alguém que cá vem e copia um texto, ou dois ou três e os coloca nas respectivas páginas como seus, está claramente a querer transmitir algo que na verdade não foi essa pessoa que escreveu.
Não nos importamos nada que textos nossos figurem noutros sítios. Até nos sentimos lisonjeadas, afinal demonstra que gostaram e se identificaram com o que escrevemos.
Mas importamo-nos e muito que os mesmos não estejam devidamente identificados...Por isso agradecia que quem nos "roubou" literalmente dois ou três textos colocasse as devidas aspas e os identificasse.

" Que meta a carapuça a quem servir. Tenho dito. *"
Esta foi a frase que a menina colocou no final de um dos textos .
Fazemos nossas as tuas palavras, enfia a carapuça e faz o que tens que fazer.

Inês e Mafalda

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Dois anos...



Hoje estamos de parabéns.
Nós que o escrevemos e vocês que o leêm.
O blogue faz dois anos.
Dois anos depois... temos que dizer que continuamos apaixonadas por este blogue e apaixonadas por todas as pessoas que aqui passam diariamente.
Obrigada!!!
Dois anos...e este blogue já deu um fruto chamado "Remoinho de Emoções".
Dois anos de palavras, dois anos de sorrisos, dois anos de comentários, dois anos em que demos muito de nós, mas nada comparado com aquilo que este mundo da blogosfera nos oferece.

Dois anos de tantas outras coisas que continuaremos a descrever mais tarde... porque agora a Inês e a Mafalda vão comemorar....

Parabéns "menino dos nossos olhos"...


Inês e Mafalda