Sexta-feira, 31 de Julho de 2009

Shiuuuu…


foto:Marisa Gonçalves

Não sei se tu sabes, mas tenho saudades tuas…Às vezes adorava que voltasses a perder a cabeça e voltasses à minha cama. Porque na minha cama foste meu. Foste amante... Amigo... Menino. Foste aquilo que nunca te conheci fora dela. E se calhar é precisamente por isso que como diz a nossa amiga " isto ainda não me passou ". Não é que isto seja permanente, mas lembro-me muitas vezes das tuas expressões. Tão tuas... Só tuas.

( Shiuuuu )

Mafalda

Domingo, 26 de Julho de 2009

O outro lado das saudades.



Já que se tem falado muito de saudades por aqui, apetece-me dizer que ter saudades nem sempre representa afastamento, separação, debilidade, amargura.
Muitas vezes são fantásticas lembranças de momentos mágicos, etapas extraordinárias, e pessoas para as quais não temos definição. São recordações que vagueiam pela nossa mente. Aquelas que nos oferecem risadas, que nos fazem felizes pelo simples facto de revivermos, mesmo que apenas na nossa cabeça, momentos inolvidáveis e desiguais. Os tais momentos a que não lhes mudaríamos uma vírgula que fosse… mesmo com as reticências que se seguiram…e mesmo depois dos pontos finais.


Mafalda

Sábado, 25 de Julho de 2009

Resposta a um " anónimo mas pouco "


foto: Graça Loureiro

Há quem defina saudade das mais variadas formas. Eu já escrevi algumas vezes sobre isso. Algumas, muitas. A última vez que o fiz chamei-lhe “doença” e “pedi” um analgésico para combatê-las. Um dos comentários a esse “post” suscitou-me uma mescla de sentimentos. Primeiro porque foi escrito por um anónimo. Um dos muitos “anónimos mas pouco” que por aqui vão passando. E depois porque me fez dissertar um pouco sobre o assunto.
É para a pessoa que o escreveu que hoje me dirijo. Porque sim, porque me apetece e porque perante o que escreveu fiz a minha dedução.
Pode estar errada…mas é a minha.

Quiseste adivinhar ou ter a prepotência de achar que as minhas saudades tinham um nome: Gonçalo.
Lamento desiludir-te, mas desta vez não acertaste. Deixa o Gonçalo estar onde está. Ou por acaso tens visto algum sinal dele por aqui? Saudade pode ser exactamente aquilo que tu disseste. Mas não só.
Sei bem que entendes de saudades, mas estou certa que saberás sempre mais das tuas saudades do que das minhas.
Achas mesmo que o melhor analgésico é perceber o motivo dessas saudades? Eu acho que nós sabemos sempre porque as sentimos…sempre… E nem por isso elas diminuem ou amenizam. Sabes disso tão bem quanto eu. Por isso, o que escreveste tem mais de teoria do que outra coisa. Nada contra… atenção. Tu sabes que eu até sou a tal que tem sempre uma teoria para tudo. Deixa-me contar-te a minha teoria para a tua definição sobre o tema. Além de, quanto a mim ser uma descrição básica, achei também que veio em forma de um qualquer “recadinho”.
Recado entregue. Resposta a decorrer.
Saudade é sempre uma “ boa lembrança que ficou no passado”, e não só quando “o outro já as teve primeiro… só que estávamos distraídos quando isso sucedeu”.

De qualquer forma agradeço o tua teoria, mesmo não se aplicando. Agradeço…porque me fizeste dissertar sobre esta palavra, filha da nossa língua e que não tem tradução em mais língua nenhuma.
Todos percebemos de saudades. Mas das nossas. E eu sei das minhas. Aquelas que sinto na pele. E essas não permitem sequer que me distraia. São cortantes, agudas, estridentes. São minhas e como te disse sei sempre de onde vêm.
É o tal vazio, uma tal espécie de dor que me faz sentir minúscula, débil. A tal sensação de impotência e fraqueza, por não conseguir refazer instantes ou momentos.
E é aí que “peço” o tal analgésico para as saudades. Quando preciso de as acalmar ou minimizar, mas sempre com a perfeita noção de que elas existirão eternamente em mim. E ainda bem que assim é. Quer dizer que já vivi e já senti coisas tão boas, dignas de deixarem as tais saudades.
Nunca te disseram que é bem melhor ter saudades do que se viveu… do que daquilo que nunca se teve? Digo-te eu!

Obrigada mais uma vez pelas visitas, embora não saiba muito bem o que procuras quando cá vens. De qualquer forma " as portas estão abertas ".
Um beijinho ( o tal de que deves ter saudades ) e volta sempre!!!

Mafalda

Segunda-feira, 20 de Julho de 2009

Estado: "virada do avesso" ...


foto:Amanda Com


Tenho uma relação muito estranha com as segundas-feiras. Não gosto delas e cada vez me convenço mais de que elas também não morrem de amores por mim. Talvez a culpa e a responsabilidade nem seja do dito dia da semana, mas hoje estou integralmente virada do avesso. E se muitas vezes uso este termo num sentido positivo, hoje podem levar para o pior sentido que conseguirem imaginar.
O mau feitio começou logo durante o sono onde mais uma vez os sonhos estranhos foram predominantes. E depois acordei assim …virada do avesso e com um mau feitio capaz de irritar o ser humano mais resistente à maior irritação. Claro que este mau feitio também faz com que a paciência para o que quer que seja se evapore.
Quando o Martim vier cá, já sei que vai dizer “ A Mafalda está “meia-trenga” outra vez”. Mas não Martim, desta vez o meu estado ultrapassa o “meia-trenga” e o “meia-parva” . Suponho que este seja mesmo o estado “ virada do avesso”.
Estou assim...
Tudo me irrita. Irritam-me as pessoas. Irritam-me as datas. Irritam-me os sentimentos. Lembro-me de tudo o que devia esquecer, e esqueço-me do que tem que ser lembrado. São as criaturas que já nem deviam fazer parte da minha memória e a assaltam repentinamente. São os sentimentos que já deviam estar mortos, sentimentos a quem o funeral e o luto foi feito, mas que hoje parece que se deu um milagre e ressuscitaram.
É nestas alturas que gostava de ter um botãozinho no cérebro, ou a tecla “delete” que tanto usamos no computador alojada também na cabeça. A dita tecla deveria ser peça integrante do nosso cérebro para assim apagarmos tudo o que nos pusesse nestes estados de demência, de alienação e imbecilidade.
Hoje estou muito longe de estar tranquila. Muito pelo contrário, em mim hoje reina a ansiedade e o nervosismo. As coisas que julguei solvidas e resolvidas parece que voltaram em forma de peças trocadas de um puzzle de difícil resolução. Peças que deveriam encaixar-se, mas que a cada dia mudam de posição e de forma. As mesmas peças que me baralham e me fazem ficar assim…virada do avesso.




Mafalda

Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

Sábado, 11 de Julho de 2009

A espera…


foto: Marta Ferreira - www.mfotografia.com/ modelo: Sofia Cunha


Achamos que não esperamos nada e quando damos conta estamos sempre à espera de alguma coisa. Depois somos confrontados com uma indiferença que não esperávamos. Já não perco o meu tempo a tentar entender os enigmas, as coisas ocultas, as ligações secretas. São perguntas sem resposta. Ou talvez nem seja nada disto. Quem sabe as respostas são bem mais simples do que as perguntas, porém difíceis de acreditar? A seu tempo teremos consciência do que tudo isto significa. Vamos conhecer os fins, os objectivos e os propósitos. Já me ocorreu que fosse o destino a dar o ar da sua graça e pregar-me mais uma das suas partidas.

Já sei Inês, já sei que vais dizer-me que agora estou a culpar o destino de caminhos onde fui parar pelo meu próprio pé e sem qualquer mão do destino.

E provavelmente tens a tua razão… e eu…eu estou só à espera de encontrar a minha. Afinal estamos sempre à espera de alguma coisa. Alguma coisa que às vezes se traduz em alguém.

Mafalda

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Bom dia alegria...


foto: www.paulocesar.eu - paulo cesar

E hoje vou sorrir para a vida, porque apesar do caos que tenho em mim...sei que tudo vai ficar bem.
Bom dia alegria .

Mafalda

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

A fuga...


foto:José Lopes

Acordo …
Os factos que me estão no pensamento parecem-me nublados. As palavras, essas parecem-me ainda mais embaciadas. Escapam-me de forma opaca, embora já reconstituídas de uma noite anestesiada.
Avisto esboços indefinidos. Talvez isso queira apresentar um trilho, uma passagem, um caminho. Não sei bem…talvez um atalho somente projectado, ainda incerto, talvez um caminho mais prudente. Pondero, reflicto…talvez o segredo passe por ser mais cautelosa.
Esta noite tive mais um sonho daqueles que nos moem a cabeça.
Quase sempre nos meus sonhos há uma mistura surreal de pessoas, ainda que muitos factos também misturados sejam na maior parte das vezes reais.
Este sonho representava uma fuga. Pelo menos eu estava a correr para alguém não me apanhar. A minha memória não consegue sugerir-me de quem fugia.
Sobra-me unicamente o sentimento de pânico.
Dou comigo a perguntar porque é que as cópias ou as representações de alguns sonhos nos são depois de acordar quase que inatingíveis?
Já as sensações …essas sobrevivem horas, às vezes dias inteiros, ou até muito mais.
Tento confinar a minha consciência de forma demorada. Até ela me parece preguiçosa. Procuro o relógio e olho-o quase de esguelha. Parece-me já demasiado tarde. Este não será de maneira nenhuma um dia animado, a avaliar pela atribulação do sono e da forma como despertei para este dia.
É verão, ainda que escassamente tosco, é efectivamente verão. O dia apresenta-se em tons de dourado. Ao menos isso.
Salto da cama ainda a desejar um abanão com o objectivo de lembrar-me do sonho mais nitidamente. Já estou mesmo a ver. O sonho vai deixar-me um sabor amargo durante o resto do dia. Preferia continuar a dormir e poder desvendar o sonho. Mas não…o dia espera por mim, ainda que me mostre meia entorpecida.
Hoje já nada me livra de chegar atrasada. Como se fosse só hoje. Atraso-me hoje, amanhã e ontem. Tenho assumidamente uma enorme e profunda dificuldade em cumprir horários.
Derroto finalmente o marasmo. Salto da cama e corro para a casa de banho. Ligo o chuveiro e enfio-me imediatamente debaixo da água a escaldar com a pressão no máximo, como eu gosto. Enquanto a água me escorre à velocidade certa, eu acabo por voltar a pensar. Ou imaginar que consigo decifrar o sonho. Tento encontrar um rosto. Aquele que me fazia fugir dele a sete pés. Não consigo. Talvez nem fosse um rosto. Talvez fosse um sentimento. Mas isto, já sou eu a misturar o sonho com factos verídicos.
O que eu não posso é dar-me ao luxo de ficar quieta debaixo do chuveiro, a tentar perceber o que me quis dizer este sonho.
É hora de correr…para o dia dourado que me espera lá fora.
O sonho fica para trás…pelo menos por agora.
Talvez ao longo do dia a minha consciência desvende o quebra-cabeças e me mostre a cara ou nome de quem andei a fugir a noite toda…

Mafalda

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Quanto tempo...?


foto: José d' Almeida & Maria Flores


Quanto tempo vais demorar a chegar?
Ou ...se nao tencionas sequer chegar...
quando tempo vais demorar a sair de mim?


Mafalda