foto: Graça LoureiroHá quem defina saudade das mais variadas formas. Eu já escrevi algumas vezes sobre isso. Algumas, muitas. A última vez que o fiz chamei-lhe “doença” e “pedi” um analgésico para combatê-las. Um dos comentários a esse “post” suscitou-me uma mescla de sentimentos. Primeiro porque foi escrito por um anónimo. Um dos muitos “anónimos mas pouco” que por aqui vão passando. E depois porque me fez dissertar um pouco sobre o assunto.
É para a pessoa que o escreveu que hoje me dirijo. Porque sim, porque me apetece e porque perante o que escreveu fiz a minha dedução.
Pode estar errada…mas é a minha.
Quiseste adivinhar ou ter a prepotência de achar que as minhas saudades tinham um nome: Gonçalo. Lamento desiludir-te, mas desta vez não acertaste. Deixa o Gonçalo estar onde está. Ou por acaso tens visto algum sinal dele por aqui? Saudade pode ser exactamente aquilo que tu disseste. Mas não só. Sei bem que entendes de saudades, mas estou certa que saberás sempre mais das tuas saudades do que das minhas.
Achas mesmo que o melhor analgésico é perceber o motivo dessas saudades? Eu acho que nós sabemos sempre porque as sentimos…sempre… E nem por isso elas diminuem ou amenizam. Sabes disso tão bem quanto eu. Por isso, o que escreveste tem mais de teoria do que outra coisa. Nada contra… atenção. Tu sabes que eu até sou a tal que tem sempre uma teoria para tudo. Deixa-me contar-te a minha teoria para a tua definição sobre o tema. Além de, quanto a mim ser uma descrição básica, achei também que veio em forma de um qualquer “recadinho”.
Recado entregue. Resposta a decorrer.
Saudade é sempre uma “ boa lembrança que ficou no passado”, e não só quando “o outro já as teve primeiro… só que estávamos distraídos quando isso sucedeu”. De qualquer forma agradeço o tua teoria, mesmo não se aplicando. Agradeço…porque me fizeste dissertar sobre esta palavra, filha da nossa língua e que não tem tradução em mais língua nenhuma.
Todos percebemos de saudades. Mas das nossas. E eu sei das minhas. Aquelas que sinto na pele. E essas não permitem sequer que me distraia. São cortantes, agudas, estridentes. São minhas e como te disse sei sempre de onde vêm.
É o tal vazio, uma tal espécie de dor que me faz sentir minúscula, débil. A tal sensação de impotência e fraqueza, por não conseguir refazer instantes ou momentos.
E é aí que “peço” o tal analgésico para as saudades. Quando preciso de as acalmar ou minimizar, mas sempre com a perfeita noção de que elas existirão eternamente em mim. E ainda bem que assim é. Quer dizer que já vivi e já senti coisas tão boas, dignas de deixarem as tais saudades.
Nunca te disseram que é bem melhor ter saudades do que se viveu… do que daquilo que nunca se teve? Digo-te eu!Obrigada mais uma vez pelas visitas, embora não saiba muito bem o que procuras quando cá vens. De qualquer forma " as portas estão abertas ". Um beijinho ( o tal de que deves ter saudades ) e volta sempre!!!Mafalda